Criança de Natureza: a importância do contato com a natureza na educação das crianças

A criança é o pai do homem”, diz o poeta Wordsworth, expressão discutida e que nos serve aqui para falar do que fomos e do que seremos

A infância faz parte de nós. É o inicio de tudo que virá e é também o fim de processos que se não iniciados, poderão não se desenvolver. Tempo de fatos e experiências que nos marcaram sensorialmente e que estão na base do que apreciamos: “humm esse cheiro de jasmim me faz flutuar, acho que é da lembrança do jardim da casa da minha avó”.

A infância é o início de tudo.

A infância está em nós adultos, mas ao mesmo tempo é passageira enquanto tempo vivido; precisa ser bem cuidada para gerar indivíduos mais aptos a viverem em sociedade e respeitarem a natureza, que é de onde tudo parte.

Quando abordamos a relação da criança com o mundo natural entramos em uma área cheia de temas interessantes, pois a natureza é a base de onde a criança poderá extrair, tanto no sensório quanto no motor, a maior parte das experiências importantes na formação de sua cognição.

Maria Montessori e  J. Piaget, assim como outros pesquisadores da mente infantil, escreveram que é da experiência que a criança chega na abstração das ideias, é do mundo sensível que ela parte para entender a matemática, a lógica, a linguagem e até mesmo os afetos – porque não? Afinal, os afetos dizem do que me afeta, de registros de memórias de coisas vividas, sentidas, prazerosas ou não e que depois são traduzidas por palavras: alegria, tristeza, raiva...

A experiência sensível forma a cognição.

O que é a cognição? A cognição é uma função psicológica atuante na aquisição do conhecimento. É a maneira como o cérebro percebe, aprende, pensa e recorda determinado conhecimento que é captado pelos sentidos. Considerada  um aspecto fundamental para a aprendizagem infantil, sua estimulação traz efeitos benéficos para o desenvolvimento da criança.

Mas como estimular a cognição e como o contato com a natureza pode beneficiar?

Sugerimos a vocês a leitura do Manual de Orientação sobre os Benefícios da Natureza ele foi redigido por uma equipe de médicos para a Sociedade Brasileira de Pediatria, nele os médicos afirmam que:

 “em relação à educação, enfrentamos inúmeros desafios no sentido de oferecer uma experiência significativa e valiosa para o aluno. Um deles é a necessidade de refletirmos e requalificarmos as práticas, a organização, as rotinas e o tempo escolar, reconhecendo o brincar e o aprender com a - e na - natureza como um dos elementos centrais de uma educação vinculada com a própria vida. Brincar na areia, subir em árvores, construir cabanas e encontrar os amigos ao ar livre são experiências importantes que permitem estabelecer conexões positivas com a vida e com o outro. Portanto, se esses momentos não tiverem lugar na escola ou em outros territórios educativos, talvez não aconteçam na vida de muitas crianças e adolescentes que hoje passam a maior parte do seu tempo em instituições escolares. É preciso agir para evitar o empobrecimento do repertório de experiências que elas podem (e devem) vivenciar. "

Este documento interessante fala do problema das grandes cidades (onde faltam espaços verdes necessários para a população levar os filhos para o contato com a natureza), diz sobre a questão da segurança que impõe um confinamento às crianças e adolescentes que estão na fase de aquisição dos pré-requisitos para formação da cognição e, também, descreve as doenças infantis e juvenis decorrentes da privação do contato com a natureza: depressão, ansiedades, obesidade, diabetes, distúrbios de aprendizagem.

E, finalmente, sugerem alternativas de como mesclar na vida escolar momentos de estudo e lazer, aconselhando aos pais alternativas de lazer que envolvam deixar as crianças mais livres, recreando e brincando em espaços abertos.

Nós, do atelier Zoé, não poderíamos deixar de falar do tema neste mês, que não só lembra o outubro rosa com as campanhas sobre a saúde da mulher, mas também o dia das crianças nos lembrando dos direitos e deveres que temos para com elas. Saúde e educação são temas imbrincados, que andam juntos, não é mesmo?

Este documento ainda nos lembra que “no Brasil, além da Constituição brasileira, o direito ao brincar é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e, recentemente, pelo Marco Legal da Primeira Infância” e na “Convenção das Nações Unidas Sobre os Direitos da Criança (UN-CRC) também prevê a garantia do direito ao lazer e à educação que desenvolvam o respeito ao meio ambiente”.

Importante falar que quando dizemos natureza significa uma relação com espaços abertos, ar livre, que pode ser propiciado de forma simples. Da mesma forma que o cultivo de plantas e o amor por elas pode ser transmitido na própria casa de maneira a estimular a crianças a conhecer as plantas e usar seus sentidos para apreciá-las. Os nomes e as características das plantas também podem ser usados para trabalhar a memória e a identificação.

Mês da criança e vamos falar da natureza, das matas, rios, florestas. Vamos mostrar para a criança a importância da preservação e quem sabe através dessa ação teremos um futuro melhor para nosso planeta?!

 

Leia o manual completo em: manual_orientacao_sbp_cen_.pdf