Falando um pouco sobre Zoé: vamos filosofar!


Zoé significa “vida” em grego, e este termo teve muitas implicações filosóficas e hoje é objeto de uma discussão dos filósofos interessados em biopolítica. Mas o que é biopolítica?

É um termo de um filosofo chamado Michel Foucault, que diz que as grandes questões políticas do nosso tempo já não têm a ver com uma política das ideias, mas com os processos de inserção da vida dos indivíduos na massa global – questões, em suma, que dizem respeito ao nascimento, à morte, à doença, às políticas demográficas, às questões do aborto e da eutanásia, à regulamentação (cada vez mais severa) da higiene pública, às legislações de carácter sanitário, às medidas de segurança preventiva, à guerra contra o terrorismo, à migração de massas: todos estes fenômenos que falam de um paradigma do poder.

Mas, voltando ao termo Vida: discute-se na atualidade o conceito de vida como objeto privilegiado do Estado enquanto este tem o poder sobre a vida (biopolítica) e de outro lado o lugar de resistência e de superação enquanto o poder da vida.

Tudo isso começou lá em Platão e Aristóteles.

Como a palavra “vida”, em grego, tem uma duplicidade de sentido : tanto zoé quanto bios, Aristóteles usa esses dois sentidos e demarca o espaço do político por meio da exclusão da zoé – vida meramente biológica e reprodutiva – da polis. Na Grécia Antiga, o surgimento da polis (cidade-estado) foi um dos mais importantes aspectos no desenvolvimento da civilização grega e representou grande evolução, pois só nela abandonaríamos a vida biológica e teríamos a possibilidade de um lugar do “bem viver”, que seria : estamos regidos por leis e uma ética.

 G. Agamben, um dos filósofos da atualidade, tenta explicar por quais motivos a instauração desta polis (do bem viver) não aconteceu como supunha Aristóteles e diz que no atual contexto da globalização, ou seja, no mundo atual regido por uma única ordem econômica, política, policial e militar, num mundo sem fronteiras, surgem figuras novas que acabam ficando à margem do direito e da sociedade, e relembra os campos de concentração e os campos dos refugiados, mostrando que há uma soberania mundial que atua suspendendo uma ordem jurídica internacional, criando os não sujeitos, ou sujeitos extirpados de sua cidadania. O estado de exceção se apresenta, segundo ele, como a forma legal daquilo que não pode ter forma legal.

Nomeando nosso atelier Zoé queremos lembrar tudo isso, e, ao nosso modo, fazer nosso ato político de louvor (não religioso, porém igualmente de fé) a natureza, a polis, ao bem viver sempre atentos às democracias e a outros modos de poder que nos arrancam de nossos direitos a cidadania.

Aqui neste espaço não vamos falar de política ou de filosofia, porque há outros espaços onde isso é discutido de forma bem legal.

Aqui vamos falar de con-viver com as plantas e de como elas podem nos beneficiar. Como elas podem participar mais do nosso espaço, da casa, do escritório e nos lembrar do vínculo com o biológico, o natural.

Zoé significa vida natural.